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Percurso:
Urrós - Picão da Caleira
Monumentos/Aspectos
Típicos: Ermida de S. Facundo - Ruínas da ermida
românica (Igreja dos Mouros) presumivelmente do início da nacionalidade;
Fornos da Caleira - Antigos fornos para cozedura da cal,
situados no lugar da caleira, antiga mina; Bodegas Subterrâneas
- Antigas caves escavadas na rocha; Arquitectura Tradicional
- Algumas casas típicas transmontanas; Cristo da Igreja Paroquial
de Urrós - Cristo em tamanho natural do Sec. XIII;
Valores Naturais: Picão da Caleira
- Uma vista abrangente das arribas, com impressionante queda livre.
Vista frontal da vila de Formoselle; Área de vinha - Vista sobre
uma extensa área de vinha, dentro do termo de Urrós;
Descrição
do percurso
O passeio começa na aldeia de Urrós e pela visita às bodegas subterrâneas,
situadas nas vizinhanças do povoado. Estas bodegas foram construídas
por escavação em terreno rochoso, constituindo pequenas grutas
com o tamanho de pequenas salas, com espaço suficiente para acomodar
algumas pipas de vinho, o presunto e enchidos, assim como uma
mesa e alguns bancos. Embora largamente em desuso nos nossos dias,
representam no entanto um aspecto típico da região. As bodegas
eram o local de encontro dos jovens, no tempo em que os bares
ainda não existiam, e a taberna era só para adultos que já tinham
ido á tropa.
Voltando á aldeia, pode o visitante
apreciar na sua igreja paroquial um Cristo presumivelmente do
Sec. XIII, em tamanho normal. Este constitui em si um exemplo
da arte sacra tradicional. Na realidade, quase nada se sabe acerca
da origem desta estátua nem do seu autor. Terá sido por altura
da construção da primeira igreja, que esta foi encomendada a um
mestre escultor.
Ainda na aldeia e fazendo um pequeno
passeio pelas suas ruas, podem-se encontrar alguns bons exemplos
de casas típicas transmontanas. Estas são construídas em pedra
solta, albergando no rés-do-chão o estábulo, residindo a família
no primeiro andar. O acesso a este último faz-se geralmente por
meio de escada exterior em pedra, encimada por uma varanda ou
balcão.
O troço seguinte do passeio leva-nos
à ermida de S. Facundo à distância de meia hora de caminho. Pelo
percurso passa-se por uma zona de olmos (espécie em extinção),
podendo-se ainda apreciar uma queda de água de cerca de 30 metros,
no lugar da frauga. Especialmente durante os meses de Verão e
Outono, tem o visitante a oportunidade de observar a partir deste
lugar, uma extensa área de vinha que se confunde no horizonte,
com a linha das Arribas do Douro à alguns quilómetros de distância.
A ermida de S. Facundo, visivelmente
de traçado românico, é constituída por um conjunto de dois arcos
ainda intactos e as ruínas dos seu muros. No interior existe uma
pia (baptismal ?) com o formato de um sarcófago. Nas imediações
da ermida e a precisar urgentemente dum levantamento arqueológico,
encontram-se esculpidas nas rochas várias sepulturas assim como
diferentes tipos de pegadas animais, ou ainda mãos e pés humanos.
A flora deste lugar é constituída principalmente pela vinha, oliveira,
carvalho e azinheira. Esta flora mantêm-se em quase todo o percurso
que nos leva ao Picão da Caleira, nosso próximo destino, que se
encontra à distância de uma hora e meia de andamento. O Picão
da Caleira ou da Coutada oferece uma impressionante vista sobre
a vila espanhola de Formoselle, separada pelo rio através dum
precipício de cerca de 300 m em queda praticamente livre. A vegetação
aqui é tipicamente mediterrânica, onde o zimbro, a escova e o
carrasco imperam. Na encosta direita do picão situa-se as velhas
minas de cal (duas), com os seus fornos, praticamente em ruínas.
Até ao seu abandono há 50 anos, fazia-se nas minas a extracção
da cal parda e branca da encosta duma forma totalmente artesanal,
que era de seguida cozida com vista à produção de argamassas e
tintas respectivamente. Hoje grande parte da encosta encontra-se
coberta de oliveiras, encaixadas em pequenos socalcos fixados
na extrema inclinação do terreno. De relevar neste local a sua
avifauna, que inclui algumas aves raras, tais como o andorinhão
real, falcão peregrino ou o chasco preto.
O passeio termina com a visita
à encosta esquerda do Picão, onde se pode observar na margem espanhola
a impressionante faia amarela, um maciço granítico em queda directa
para o rio de cerca 200 m.
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