PASSEIO 1
Percurso: Bemposta - Lugar dos Picões

Monumentos/Aspectos Típicos: Castelo de Oleiros - Castro pré-romano classificado como monumento nacional; Moinhos e Pisão - antigos moinhos de água e pisão de arquitectura tradicional;

Valores Naturais: Picões (Canhões) - Uma vista abrangente dum grande troço das arribas, a partir dos Picões.


Descrição do percurso
Inicia-se o passeio a partir da Estalagem, descendo pela estrada nacional até ao bairro do Cardal do Douro. Do Cardal do Douro pode-se apreciar uma excelente vista da albufeira da barragem de Bemposta.

Deixando o bairro, segue-se em direcção ao Castelo de Oleiros, à distância de 3 km por terreno montanhoso ao longo da margem escarpada do Douro. O trajecto é constituído de pequenos caminhos rurais, que por vezes se transformam em simples carreiros de difícil andamento, serpenteando pelo meio de estevas, escovas, piornos onde o zimbro também impõe presença. Após cerca de uma hora de andamento chega-se ao cimo de um morro, que se eleva da margem do Douro, mirando, desafiante, a margem espanhola. Neste local encontram-se as ruínas dum castro pré-romano - o Castelo de Oleiros. Daqui pode-se observar perfeitamente uma extensa área do Douro, alargado nas suas águas pela proximidade da albufeira da barragem de Bemposta. Do castelo propriamente dito, resta parte da muralha que o circundava assim como alguns muros internos, que permitem ainda devisar alguma da sua estrutura interna.

O troço seguinte leva-nos á ribeira dos moinhos, à distância de cerca de 4km, por carreiros, onde se podem visitar ruínas de velhos moinhos de água assim como dum pisão. O percurso é realizado paralelamente à margem do rio, inserido totalmente numa paisagem feita de floresta de pinhos, zimbros, giestas, piornos, carvalhos, azinheiras, estevas, escovas, olivais e algumas vinhas. Algumas espécies de aves como o melro, estorninho, perdiz ou a cotovia, encontram neste local o lugar ideal para a sua nidificação. O javali, a raposa, o coelho bravo e a lebre têm também aqui o seu habitat.

Na ribeira dos moinhos, como o nome aponta, podem-se apreciar vários moinhos de água que ao longo das suas margens foram construídos. O leito da ribeira cortado na rocha granítica, encontra-se geralmente seco no Verão, mas com respeitável caudal durante o Inverno. Percorrendo a ribeira em direcção ao Douro, à distância de meia hora de andamento, encontra-se o velho pisão. Até ao seu abandono, há 60 anos, serviu para pisar/amolecer o linho e seus tecidos derivados, como a estopa ou ainda o borel. Ainda se pode observar, entre outros, o sistema que canalizando a água fazia mover um enorme maço de pedra na extremidade duma viga em madeira, que pisava (amolecia) em movimentos rítmicos os tecidos.

O passeio termina com a visita aos picões de belos aires e corchá, que pela sua elevação nas arribas, permitem uma renovada e deslumbrante vista das escarpadas margens do Douro. No picão de crochá, tem-se vindo a referir a existência de vestígios pré-históricos de presença humana.

Nas imediações dos picões e afastando-nos do rio, encontra-se o denominado vale de maxide (topónimo de origem árabe), apontado pela tradição como tendo albergado um povoado mouro. A ter realmente existido, deste restam apenas pequenos objectos tais como tijolos, aneis, candelabros e até moedas (embora confirmadamente do período romano), que ocasionalmente tem aparecido nas vinhas entretanto plantadas.
A propósito deste povoado diz a lenda que entre os picões de belos aires e crochá se encontra enterrado um sino de ouro, que os mouros em debandada para o sul, por altura da reconquista cristã, não o podendo transportar, resolveram esconde-lo. Reza a lenda:


"Entre o picão de belos aires
e o picão de crochá
um sino de ouro está,
quem o encontrar seu será,
a relha ou pata de ovelha"

 

 
 

 

 
 

 
 

Concepção e Desenvolvimento: José.A.F.Marcos