| No que
respeita ao Solar, este foi mandado construir pela família Manso, sua
proprietária inicial, presumivelmente nos finais do Sec. XVIII.
Trata-se de um edifício considerado de
interesse para o concelho, inventariado em ficheiro próprio no museu de
Mogadouro. A descrição da pedra de armas deste solar feita pelo Abade de
Baçal nas suas Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança,
que aponta para a mesma origem. É o seguinte o teor da descrição, que se
encontra na pág.
"Está em Bemposta, concelho de Mogadouro,
na casa da família Manso, pertença do bispo Manso, da Guarda. (...) Escudo
em forma oval, (...) tendo por elmo chapéu eclesiástico de que pendem
borlas correspondentes à dignidade episcopal. O escudo conforme está
gravado na pedra não está dividido. Apresenta em cima uma cruz, por baixo
desta três flores de liz em linha horizontal e por baixo dela duas palas.
É quási certo que o lapicida se enganou com as armas dos Martins que quis
representar, (...)".
O brasão, ou pedra de armas, é sem dúvida
aquele que existe na casa que estamos a analisar, por cima da porta da
capela ,correspondendo à descrição acima transcrita.
Para que não haja equívocos, frisamos desde
já que o brasão pretende representar as armas dos Martins, e que o
lapicída interpretou de uma forma livre. As armas dos Mansos, família de
origem espanhola que possivelmente não terá nada que ver com esta família
Manso, são completamente diferentes.
Apoiando-nos ainda nas descrições do Abade
de Baçal, e no facto de o brasão da referida casa ser um brasão de bispo,
julgamos ser verosímil que a casa fosse mandada construir e pertenceu a D.
Manuel Martins Manso, bispo da Guarda e natural de Bemposta.
Sabemos que este erigiu em 1859, nesta
povoação, uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição, junto às suas
casas de habitação. Esta capela não pode ser outra senão a capela que faz
parte do conjunto do solar dos Mansos, onde se encontra o já descrito
brasão, dedicada a Nossa Senhora da Conceição segundo a tradição popular e
confirmada pela imagem aí venerada, cuja simbologia corresponde de facto à
representação habitual da dita santa (Nossa Senhora pisando a serpente
tentadora e o dragão, do qual apenas sobressaem os chifres).
. Manuel Martins Manso é sem dúvida o
membro mais ilustre da família Manso que habitou nesta casa aquele que
perdurou na memória da aldeia como um personagem notável do seu tempo,
aquele cujo nome e figura ficariam aqui ligados à casa que possivelmente
terá mandado construir, apesar de o solar ter passado por muitas mãos até
chegar aos dias de hoje. A capela era até há bem pouco tempo local de
culto para o povo de Bemposta.
D. Manuel Martins Manso nasceu em Bemposta
a 21 de Novembro de 1793, sendo filho de António Martins e de D. Isabel
Manso, ambos naturais de Bemposta. A adopção do apelido da mãe como último
nome é a causa do engano que se propagou no tempo sobre o brasão da
família.
O ilustre prelado formou-se em Cânones pela
Universidade de Coimbra, tendo sido posteriormente cónego da Sé de
Bragança onde teve a dignidade de chantre.
Foi bispo de Sé do Funchal entre 1850 e
1858, sendo então transferido para a diocese de Guarda.
É já como bispo da Guarda que resolve
construir a capela de que falámos e que faz parte do solar. Este bispo
viria a distinguir-se pela direcção de um movimento de protesto contra a
intenção do governo de extinguir a diocese da Guarda, facto que não chegou
a acontecer, tendo morrido nesta cidade a 1 de Dezembro de 1878.
Referência Bibliográfica:
In "Análise Histórica e
Arquitectónica do Edifício da Futura Estalagem Solar dos Marcos",
Arquitecto Virgílio Pinto, Bemposta, Dez. 1995. |